sexta-feira, 2 de março de 2018

02 de março - Beato Carlos, o Bom


Carlos, aclamado pelo povo como “o Bom”, era filho de São Canuto, rei da Dinamarca. Órfão de pai com apenas cinco anos de idade, pela mãe, Adélia de Flandres, foi conduzido para a corte do avô, o conde de Flandres, que se fixava em Bruges.

Moço, foi armado cavaleiro, e, com um tio, Roberto, tomou parte numa das cruzadas contra os infiéis na Terra Santa. De volta, coberto de glória, esperava-o o poder: um primo germânico, Balduíno, que sucedera ao conde de Flandres, legava-lhe o condado.

Homem que amava profundamente a justiça e que tinha predileção muito especial pelos oprimidos, pelos pobrezinhos, dos quais era pai e protetor, Carlos conquistou, num átimo, o apelido de o Bom.
Assistia o conde, todos os dias, à santa Missa, e quando podia, às vésperas, na igreja de São Pedro de Gand. Tinha sempre, ao lado, três religiosos, doutores em teologia, que todas as noites, depois do jantar, lhe explicavam um ou dois capítulos da Bíblia, lições que ouvia com grande interesse e singular prazer. E tanto amava a Deus, que proibiu aos súditos jurar pelo seu santo nome: quem o fizesse, estava sujeito a perder, conforme a maior ou menor gravidade do caso, uma das mãos ou um pé.
Justiceiro por excelência, era o terror dos maus dos que oprimiam os pobres, extorquiam viúvas e perseguiam órfãos.

Quando o imperador romano desapareceu sem deixar herdeiros, cuidou-se de sua eleição, mas o conde que já se negara a aceitar o reinado de Jerusalém, declinou do cetro.
Desprendido das coisas do mundo, simples, afável, e caridoso, Carlos teve ocasião de mostrá-lo quando uma grande fome assolou as Flandres: todos os dias, invariavelmente, cuidava de cem pobres de Bruges, alimentando-os e vestindo. E a Tancmar, seu capelão, encarregou de fiscalizar os vendedores, para que não exorbitassem no preço dos gêneros alimentícios, obrigando-os a vendê-los razoavelmente.

Carlos, o Bom, foi morto por Burchard, um incitador de revoltas, inconformado por não ter auferido grandes lucros, quando daquela fome. Todas as manhãs, o conde ia ouvir a missa numa capela da igreja de São Donaciano, ao lado do castelo.

Burchard, sabedor daquele hábito, ali apareceu com alguns cúmplices. Carlos, de joelhos, cantava em alta voz um salmo. O matador, sorrateiramente, avançou para ele. Uma mulher, vendo-o puxar da espada, gritou:
- Senhor conde, levanta-te e guarda-te!

Era tarde, porém, porque Burchard já lhe dirigira uma certeira e funda estocada ao pescoço, e os outros assassinos acabaram de matá-lo, furiosamente.
O corpo de Carlos, enterrado no mesmo lugar que o trucidaram, foi, mais tarde, transferido - estava perfeitamente conservado - para a Igreja de São Cristovão.
O culto do Beato filho de São Canuto foi aprovado por Leão XIII, em 1882.

02 de março - Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?” Mt 21,39-40


O dono confiou aos vinhateiros a vinha que tinha plantado e depois deixou o país. Deste modo, é posta à prova a lealdade destes vinhateiros: a vinha foi confiada a eles, que devem cuidar dela, fazê-la frutificar e entregar ao dono a colheita. Quando chegou o tempo da colheita, o dono enviou os seus servos aos lavradores para recolher o produto da sua vinha. Mas os lavradores assumem uma atitude possessiva: não se consideram simples administradores, mas proprietários, e recusam-se a entregar a colheita. Maltratam os servos, a ponto de os matar. O dono mostrou-se paciente com eles: enviou outros servos em maior número que os primeiros, mas o resultado foi o mesmo. Enfim, com paciência, decide enviar o próprio filho; porém, aqueles lavradores, prisioneiros do próprio comportamento possessivo, matam também o filho pensando que assim receberiam a sua herança.

É uma história que nos pertence: fala-se da aliança que Deus quis estabelecer com a humanidade e na qual convidou também nós a participar. Contudo, esta história de aliança, como qualquer história de amor, tem os seus momentos positivos, mas está marcada também por traições e rejeições. Para fazer compreender como Deus Pai responde às rejeições que se opõem ao seu amor e à sua proposta de aliança, o trecho evangélico põe nos lábios do dono da vinha uma pergunta: “Pois bem, quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?”  Esta interrogação sublinha que a desilusão de Deus pelo comportamento malvado dos homens não é a última palavra! Nisso consiste a grande novidade do Cristianismo: um Deus que, mesmo desiludido pelos nossos erros e pelos nossos pecados, não falta à sua palavra, não para e sobretudo não se vinga!

Irmãos e irmãs, Deus não se vinga! Deus ama, não se vinga, espera para nos perdoar, para nos abraçar. Através das “pedras de descarte” — e Cristo foi a primeira pedra que os construtores descartaram — mediante situações de debilidade e de pecado, Deus continua a pôr em circulação o “vinho novo” da sua vinha, ou seja, a misericórdia; este é o vinho novo da vinha do Senhor: a misericórdia. Há um único impedimento perante a vontade tenaz e terna de Deus: a nossa arrogância e a nossa presunção que, por vezes, se torna violência! Face a estas atitudes e onde não se produzem frutos, a Palavra de Deus conserva toda a sua força de reprovação e admoestação: "Ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele".

Papa Francisco – 8 de outubro de 2017

Hoje celebramos:

quinta-feira, 1 de março de 2018

01 de Março - Santo Albino de Angers


Albino de Angers nasceu no ano 469, no seio de uma família cristã, que se encontrava em ascensão social e financeiramente, também pertencia à nobreza de Vannes, sua cidade natal, na Bretanha. Era uma criança reservada, inteligente, pia e generosa. Ao atingir a adolescência manifestou a vocação pela vida religiosa. Para seguir sua vocação e fazer-se monge, renunciou ao título da nobreza e todas as suas posses, e por volta dos vinte anos ordenou-se monge e cinco anos depois era escolhido, pela sua comunidade, o abade do mosteiro de Tintilante, também conhecido como de Nossa Senhora de Nantili, próximo de Samour.

Durante mais vinte e cinco anos exerceu seu ministério, mantendo-se fiel aos preceitos da Igreja, trabalhando para manter a integridade dos Sacramentos e das tradições cristãs e reconduzindo a vida monástica ao fervor inicial. Nesse período, todas as suas qualidades humanas e espirituais afloraram, deixando visível uma pessoa especial que caminhava na retidão da santidade. Fez-se o pai e irmão dos pobres, dos humildes, dos perseguidos e dos prisioneiros. Tanto que foi eleito, para ocupar o posto de bispo de Angers, pelo clero e pela população, num gesto que demonstrou todo amor e estima do seu imenso rebanho.

Nesse posto trabalhou incansavelmente pela moralização dos costumes, contra os casamentos incestuosos que se tornavam comuns naquela época, quando os ricos da corte tomavam como esposas as próprias irmãs ou filhas. Para isso convocou os concílios regionais de Órleans em 538 e 541, participando em ambos ativamente, arriscando a própria vida. Mas com o apoio da Santa Sé adquiriu novo fôlego para prosseguir na difícil e perigosa campanha de moralização cristã. Depois no Concílio de 549, se fez representar pelo seu discípulo e sucessor, o abade Sapaudo.

A tradição lhe atribui algumas situações prodigiosas e cobertas pela graça da Divina Providência, como a abertura das portas da prisão, a libertação dos encarcerados e muitos outros divulgados entre os fiéis devotos.

Albino morreu no primeiro dia de março de 554 e foi sepultado na igreja de São Pedro em Angers. Devido ao seu culto intenso já em 556 foi dedicada a ele uma igreja, na qual construíram uma cripta para onde seu corpo foi transladado. Ao lado dessa igreja foi criado um mosteiro beneditino, cujo primeiro abade foi seu discípulo Sapaudo.

Contudo, as relíquias do bispo Albino encontraram o repouso definitivo na catedral de São Germano em Paris, no ano 1126, quando o seu culto já atingira, além da França e Itália, também a Alemanha, Inglaterra, Polônia e vários países do Oriente.

Com justiça, Albino foi considerado um dos santos mais populares da Idade Média, que atingiu a Modernidade através da vigorosa devoção dos fiéis, reflexo de seu exemplo de moralizador. A festa litúrgica de Santo Albino é comemorada no dia de sua morte.


01 de março - Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. Lc 16,24


Na segunda parte da parábola, encontramos Lázaro e o homem rico após a morte. Daqui em diante a situação se inverte: Lázaro foi levado pelos anjos ao céu a Abraão, o rico se precipita em meio aos tormentos. Em seguida, o rico “olhou para cima e viu ao longe Abraão, e Lázaro ao seu lado.”
Ele parece ver Lázaro pela primeira vez, mas suas palavras o contradizem: “Pai Abraão, diz – tenha misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar a ponta do seu dedo e me refrescar a língua, porque estou atormentado nesta chama”. Agora o rico reconhece Lázaro e pede ajuda, enquanto em vida, fingia não vê-lo.

Quantas vezes as pessoas fingem não ver os pobres! Para eles, os pobres não existem. Antes negou-lhe até mesmo as sobras de sua mesa e agora pede o que beber! Ainda assim, ele acredita que pode reivindicar direitos por sua condição social. Declarando impossível atender seu pedido, o próprio Abraão fornece a chave de toda a história: ele explica que o bem e o mal foram distribuídos para compensar a injustiça terrena, e a porta que separava em vida o rico e o pobre, é transformada em “um grande abismo.” Enquanto Lázaro estava em sua casa, para o rico havia uma chance de salvação, abrir a porta, ajudar Lázaro, mas agora que estão mortos, a situação se tornou irreparável.

Deus não foi nunca chamado diretamente, mas a parábola adverte claramente: a misericórdia de Deus para conosco é proporcional à nossa misericórdia para com o próximo. Quando esta falta, quando não tem lugar no nosso coração fechado, ela não pode entrar. Se eu não escancarar a porta do meu coração aos pobres, a porta está fechada. Mesmo para Deus. E isso é terrível.

Papa Francisco – 18 de maio de 2016

Hoje celebramos:

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

28 de fevereiro - Beato Timóteo (Stanislaw Antoni)


Precisamente hoje estamos a celebrar a vitória daqueles que, no nosso tempo, deram a vida por Cristo, deram a vida temporal para a possuir pelos séculos na sua glória. Trata-se de uma vitória particular, porque é compartilhada pelos representantes do clero e dos leigos, jovens e idosos, pessoas de várias classes e posições. (...) Há sacerdotes diocesanos e religiosos, que morreram porque não quiseram abandonar o seu ministério, e aqueles que morreram servindo os companheiros de prisão, doentes de tifo; há pessoas que foram torturadas até à morte pela defesa dos judeus.

No grupo dos Beatos existem irmãos religiosos e irmãs, que perseveraram no serviço da caridade e na oferta dos seus tormentos pelo próximo. Entre estes Beatos mártires contam-se também leigos. (...) Hoje estes Beatos mártires são inscritos na história da santidade do Povo de Deus, peregrinante em terra polaca há mais de mil anos.

Papa João Paulo II - Homilia de Beatificação – 13 de junho de 1999

Stanislaw Antoni nasceu 29 julho 1908, na aldeia de Sadlowo, na diocese de Plock, na Polônia.Sua família era muito pobre o que o levou a trabalhar desde muito jovem. Em 5 de Março de 1930 ele entrou no convento dos Frades Menores Conventuais de Niepokalanow.

Em janeiro de 1931 começou o seu noviciado com o nome de Tymoteusz. Toda a vida religiosa foi realizada em Niepokalanow, trabalhando no departamento de expedição da revista "Cavaleiros da Imaculada", no entreposto de fornecimento e na enfermaria, onde se dedicou aos doentes.

Em 3 de Maio de 1937 comunicou ao seu superior a sua vontade de ir em uma missão "em qualquer lugar, qualquer hora, para fazer a vontade de Deus." Irmão disciplinado e fiel à sua vocação, tinha uma grande confiança por parte de seu famoso pai espiritual Maximiliano Kolbe.

Com o início da II Guerra Mundial em 1939, ele optou por permanecer em Niepokalanow, onde, em 14 de Outubro de 1941 ele foi preso pela Gestapo com seis irmãos, incluindo Frei Bonifácio, e encarcerados na prisão de Varsóvia.

Na prisão ele foi capaz de dedicar muito tempo à oração, dando coragem a outros e oferecendo-se para os trabalhos mais pesados. 
Em 8 de Janeiro de 1942 ele foi novamente deportado com Frei Bonifácio para o campo de concentração de Oswiecim com o número 25431.

Foi originalmente destinado ao transporte de materiais de construção e, em seguida, de escavação e transporte de cascalho. Sempre suportou com grande coragem, a fome, o frio e o trabalho árduo.

Acometido de pneumonia, morreu em 28 de fevereiro de 1942. Foi proclamado Beato pelo Papa João Paulo II em 13 de Junho de 1999 em Varsóvia, no grupo de 108 mártires polacos do nazismo.