sábado, 2 de dezembro de 2017

02 de dezembro - Santa Branca de Castela

Uma Santa que deixa para nós sua vida de fé como Rainha e Mãe. Rainha, governou com sabedoria; Mãe, soube incutir no coração de cada um de seus filhos os valores cristãos e a fé inabalável.

Branca era filha de Afonso IX, Rei de Castela, e de Eleonora da Inglaterra. Nasceu em Palência no início de 1188. Com apenas onze anos foi prometida como esposa a Luis, delfim da França, pelo tio João Sem Terra, que tinha intenção de se reconciliar com o Rei Felipe Augusto.

O casamento dos jovens príncipes foi celebrado no dia 23 de maio de 1200 em Portmort, na Normandia.
Branca encontrava-se profundamente aflita, pois já se haviam passado doze anos desde seu casamento e ainda não tinha filhos. São Domingos de Gusmão, que fora visitar a Rainha, aconselhou-a a rezar diariamente o Terço, pedindo a Deus a graça de tornar-se mãe. Seguindo fielmente o conselho, ela foi atendida e em 1213 deu à luz o seu primogênito, Filipe, que veio a falecer na infância.

O fervor da rainha não se abalou por essa provação. Ao contrário, ela procurou o auxílio de Nossa Senhora mais do que antes. Distribuiu Terços para todos os membros da corte e para os habitantes de muitas cidades do seu reino, pedindo que se unissem a ela na súplica a Deus. Sua ardente oração foi ouvida quando, em 1215, nasceu aquele que seria depois São Luís, o príncipe que se tornaria a glória da França e modelo dos reis cristãos.

Branca, que fora educada nos princípios católicos, educou seus numerosos filhos, entre eles Luis, segundo os mesmos ensinamentos. A Rainha herdou dos Plantagenetas, seus ancestrais maternos, a excepcional força de ânimo e o senso político que demonstrou colaborando nos empreendimentos do esposo, encorajado por ela na sua luta pela expulsão dos ingleses do Poitou.

Branca não se contentou em treinar seu filho para ser um rei, ela o instruiu também nos caminhos da santidade. Ela ensinou-lhe a fé católica e a devoção, e incutiu-lhe o costume de rezar, que ele nunca abandonou.
Desde os seus primeiros anos, ela se esforçou para impressionar a sua mente sensível com o valor da santidade. Ela costumava dizer-lhe: “Eu preferiria vê-lo morto a saber que você deve viver para cometer um pecado mortal.”

Em 1223 tornou-se Rainha da França e ficou viúva três anos depois. Assumiu a regência em nome do filho, Luis IX, e logo se defrontou com uma coalizão dos grandes senhores feudais que pretendiam tornar-se independentes do poder real, ou procuravam obter uma maior influência política, não tolerando a regência de uma estrangeira.
O Cardeal Romano Frangipane, legado pontifício, presente na França já no tempo de Luis VIII, muito ajudou Branca em suas lutas, pois havia conservado um ascendente também sobre a rainha.

Quando o filho atingiu a maioridade, em 1234, Branca continuou a ocupar-se das tarefas de estado junto com Luis IX por uma dezena de anos, enfrentando novas sublevações, especialmente a de Hugo de Lusignano, Conde das Marches.

Após a partida do rei para a cruzada de 1243, Branca assumiu novamente a regência do reino. A confiança que São Luís IX tinha em sua mãe é óbvia: em sua partida, ele disse à sua mãe: "Deixo os meus três filhos para a senhora guardá-los. Deixo este reino da França para a senhora governá-lo. Verdadeiramente eu sei que meus filhos vão ser bem guardados e o reino bem governado”.
Branca faleceu em Paris no dia 26 (ou 27) de novembro de 1252, enquanto São Luis IX ainda se encontrava no Oriente. O seu corpo repousa na Abadia de Maubuisson, fundada por ela em 1242, e onde ela mesma recebera o hábito cisterciense alguns anos antes da morte. O seu coração é conservado na Abadia de Lys, nas proximidades de Melun, para onde fora levado em 13 de março de 1253.

Oração

“Ó Deus, que destes a Santa Branca a graça de governar primeiramente o seu lar, e depois, um país inteiro, dai também a nós a sabedoria necessária para governarmos nossa vida, nosso lar e tudo aquilo que for confiado a nós com sabedoria, humildade e amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo, amém. Santa Branca, rogai por nós.”

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

01 de dezembro - Beata Liduina Meneguzzi

«A mensagem que a Beata Liduina Meneguzzi traz hoje à Igreja e ao mundo, é uma mensagem de esperança e de amor: uma esperança que resgata o homem do seu egoísmo e das formas aberrantes de violência; um amor que se torna convite à solidariedade, à partilha e ao serviço, conforme o exemplo de Jesus que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de todos». (Decreto sobre a heroicidade das virtudes)

Elisa Ângela Meneguzzi, (a futura irmã Liduina), nasce aos 12 de Setembro de 1901, em Santa Maria de Ábano, na província de Pádua. A sua é uma família de lavradores muito modestos, mas ricos de fé e de honestidade, valores que a pequena assimila muito cedo.
Revela um vivo espírito de oração: participa todos os dias à santa Missa, não obstante tenha de percorrer a pé, dois quilômetros; frequenta a Catequese e, mais tarde, ela também se torna Catequista. À noite, antes de dormir, reza com a família e se sente feliz de falar de Deus aos irmãos.

Aos catorze anos, a fim de ajudar economicamente os seus, inicia a trabalhar fora de casa, prestando serviço nas famílias abastadas e nos hotéis de Ábano, onde numerosos hóspedes procuram alívio nas águas termais.

De caráter manso, sempre disponível, faz-se amar e estimar em toda a parte. Desejosa de consagrar toda a vida ao Senhor, aos 5 de Março de 1926, entra na Congregação das Irmãs de São Francisco de Sales— ou SALÉSIAS—, cuja Casa Mãe encontra-se em Pádua. Aqui Ela realiza o seu ideal de total oferta a Deus e continua a espalhar em volta de si, os tesouros do seu grande coração.

Desempenha com amor os seus trabalhos quotidianos, como roupeira, enfermeira e sacristã, entre as meninas do colégio Santa Cruz que sempre encontram em irmã Liduina uma amiga boa, capaz de escuta, de ajuda nos seus problemas, por meio de bons conselhos.
Em todas elas, deixa impressões indeléveis de ternura, de encorajante serenidade, de paciência a toda a prova.

Em 1937, irmã Liduina vê finalmente realizar-se o grande sonho, desde então cultivado no seu coração: partir para a terra de missão e levar a fé, o amor de Cristo a tantos irmãos que ainda não O conhecem.
Pelos Superiores, irmã Liduina é enviada como missionária à Etiópia, em Dire Dawa, cidade cosmopolita pela presença de povos de costumes, origens e língua diferentes. É aqui, em tal semelhante mosaico de raças e de religiões, que a humilde freira se dedica, com fervor, à sua tarefa missionária. Ela não tem uma profunda cultura teológica, mas sim uma grande riqueza interior, alimentada do contacto profundo com Deus.

Trabalha como enfermeira, no hospital «Parini» que, durante a guerra, vem a tornar-se hospital militar, onde são, portanto, acolhidos os militares feridos, para os quais irmã Liduina é verdadeiramente «um Anjo de caridade». Com carinho e dedicação incansável, trata os males físicos, pois vê, em cada irmão que sofre, a imagem de Cristo.

Em breve tempo, o seu nome ressoa nos lábios de todos; por isso todos A procuram, A chamam e A invocam como uma bênção. Os indígenas a chamam «Irmã Gudda», ou seja, «grande». Durante o enfurecer dos bombardeamentos sobre a cidade e o hospital, de cada boca sai um único grito: «Socorro, irmã Liduina!». E Ela, sem preocupar-se do perigo, transporta os feridos para o refúgio e depressa acorre para ajudar os outros. Aproxima-se dos moribundos para lhes sugerir um acto de contrição e com a sua inseparável garrafinha de água, tenta batizar as crianças agonizantes.

O seu doar-se não se limita somente aos italianos, aos cristãos; mas com verdadeiro coração ecumênico, ela vai em socorro dos brancos e negros, dos católicos e coptas, dos muçulmanos e pagãos.

Irmã Liduina ama, sobretudo, conversar sobre a bondade de Deus Pai, do bonito Paraíso, preparado para todos nós, seus filhos. Os indígenas, na maioria muçulmanos, ficam seduzidos e experimentam uma simpatia nova para com a religião católica.
A nossa Freira é também chamada «chama ecumênica», porque, muito antes do Concílio Vaticano II, vive um dos aspectos mais recomendados do Ecumenismo. As almas de Deus costumam preceder os tempos; são como faróis luminosos que indicam a direção certa, embora a estrada não esteja ainda muito clara.

No entanto, porém, o mal incurável que ameaça há tempo a sua saúde, faz-se sentir mais forte. Ela acolhe serenamente e com paz, a sua nova situação. Sofre e vai-se gastando exercendo corajosamente, até ao fim, a sua preciosa obra de amor entre os irmãos doentes.
Aceita, enfim, submeter-se a uma delicada e difícil intervenção cirúrgica que no início parece bem sucedida, mas em seguida apresenta complicações e uma paralisia intestinal que deu cabo da sua existência. Era o dia 2 de Dezembro de 1941.

Irmã Liduina morre santamente, com 40 anos de idade, conscientemente abandonada à Vontade de Deus, oferecendo a sua jovem vida, para a paz do mundo inteiro.
Um médico presente afirma: «Nunca me aconteceu de ver alguém morrer com tanta serenidade e beatitude».

Os militares que a choram como fosse uma pessoa de família, desejam e obtém que seja sepultada na parte do Cemitério a eles reservado.

Passados vinte anos, no mês de Julho de 1961, os Restos mortais de irmã Liduina, são transportados para Pádua, numa Capela da Casa Mãe, onde, devotos e amigos costumam visitá-la e invocar a sua intercessão junto de Deus.

Beatificada em 20 de outubro de 2002, Irmã Liduina Meneguzzi tornou-se um autêntico espelho de humildade e caridade cristãs, manifestando a misericórdia de Deus com os pobres, doentes e feridos.

“Famílias dos povos aclamai ao Senhor! Aclamai a glória e o poder do Senhor!" (Sl 96, 7). As palavras do Salmo responsorial exprimem muito bem a aspiração missionária, que invadia a Irmã Liduina Meneguzzi, das Religiosas de São Francisco de Sales. No breve mas intenso período da sua existência, a Irmã Liduina dedicou-se aos irmãos mais pobres e vítimas do sofrimento, em particular no hospital da missão de Dire-Dawa, na Etiópia.

Com ardente zelo apostólico, procurava fazer com que todos conhecessem o nosso único Salvador, Jesus Cristo. Na escola daquele que era "manso e humilde de coração" (cf. Mt 11, 29), ela aprendeu a defender a caridade, que brota de um coração puro, ultrapassando toda a mediocridade e a inércia interiores.
Homilia de beatificação - Papa João Paulo II


Somente Deus! – Charles de Foucauld

Tão logo acreditei que havia um Deus, compreendi que não poderia ter outra atitude que não fosse a de viver somente para ele: minha vocação religiosa data do mesmo instante que minha fé: Deus é tão grande! Há uma grande diferença entre Deus e tudo o que não é ele.

Que nosso único tesouro seja Deus, que nosso coração pertença completamente a Deus, tudo em Deus, tudo por Deus. Somente ele. Sejamos vazios de tudo, tudo, tudo criado, desapegados mesmo dos bens espirituais, mesmo das graças de Deus, vazios de tudo para poder ser inteiramente repletos de Deus. Ele tem direito a tudo, a todo nosso coração: nós lhe reservamos tudo, tudo inteiramente só para ele.

Os olhos mais doces que jamais vi, os sorrisos que mais me consolaram, os seres que mais me encantaram, tudo isso nada mais é que um pouco de sua beleza, que querias me fazer ver para que, vendo-a dissesse a mim mesmo: isso vem de Deus. Meu Deus , como és bom por ter me mostrado tua beleza nas criaturas! Dá-me a graça de só ver a ti, só a ti nas criaturas. Que eu sempre rasgue os véus.

Cada vez que abro a janela ou a porta, contemplo, cheio de admiração, os picos que me cercam e que domino, é uma vista maravilhosa, uma bela solidão. Como é BM, nessa calma grandiosa, nessa linda natureza, tão atormentada e estranha, elevar o coração ao Criador e ao Salvador Jesus.


Trechos de Cartas de Charles de Foucauld a Henry de Castries, Sra. Bondy e Obras Espirituais

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

30 de novembro - Beato José Lopes Piteira

A providência divina queria que este jovem, primeiro beato cubano, derramasse seu sangue defendendo sua fé em Cristo, na Espanha, a terra de seus antepassados, apesar de ter gravada em seu coração, até o último suspiro, a ilha caribenha que o viu nascer. Mas um apóstolo é um cidadão do mundo, um vasto território que é conquistado de polegada a polegada, entregando tudo, como Cristo exige no Evangelho, para que qualquer lugar para o qual ele seja conduzido por causa da vontade divina se torne um destino amado.

E isso que José manteve em mente em todos os momentos, juntamente com a graça divina que o iluminou, fez com que não vacilasse em nenhum momento, mesmo quando enfrentou a morte brutal que lhe foi imposta.

O Beato José não é tão conhecido em todo o mundo como outros mártires, mas ele é parte, por próprio direito, daqueles que souberam enfrentar corajosamente o destino cruel que se aproximava, e generosamente deram suas vidas deixando para trás um admirável legado de amor. 
Um dia, no início do século XX, sua família humilde deixou a Espanha para ganhar a vida, assim como tantos compatriotas. Lá permaneceram, sob a custódia dos avós, dois de seus filhos, de quem eles se despediram com imensa dor. Em sua bagagem, eles levaram a fé herdada de seus pais como um precioso tesouro que eles transmitiriam aos seus numerosos descendentes. José nasceu em Jatibonico – Cuba - em 2 de fevereiro de 1912. Ele foi a quinta criança das que vieram ao mundo naquele lar criado por Emilio e Lucinda, e o segundo dos meninos; depois, mais cinco filhos nasceram. 

Pouco antes de completar seus primeiros cinco anos de vida, José voltou com seus pais para a Espanha. Embora quase não haja informações sobre sua infância, ele deve ter sido uma daquelas crianças que não criavam problemas. Estudou com os beneditinos de Santa Maria de San Clodio, no município de Leiro, Orense, dando assim os primeiros passos para a vida religiosa. Certamente seus pais tinham uma grande esperança nele. Depois de completar seus estudos, juntou-se aos agostinianos de Leganés, em Madri. Ele professou seus primeiros votos com eles em 1929, e continuou seus estudos no mosteiro de San Lorenzo del Escorial. 
Dentre as suas qualidades de vida destacadas, sublinhamos seu "caráter amável e tratável, entusiasmado e observador". 

E, de fato, não seria um religioso ruim, quando um ano antes de se tornar um sacerdote, um momento que aguardava com alegria, seu futuro como vigário apostólico de Hai Phong no Vietnã já estava decidido. Seus superiores haviam vislumbrado nele as qualidades e virtudes que o estavam configurando como um grande apóstolo. Ele não chegou a receber o sacramento da Ordem. Seus sonhos foram violentamente destruídos quando foi capturado em 6 de agosto de 1936 junto com seus irmãos religiosos no meio da fratricida luta espanhola. A antiga escola madrilena de San Antón, que pertencia aos Padres Escolápios, onde muitos estudantes forjaram e compartilharam sua fé, então transformado em prisão, foi o local onde se desenvolveu os primeiros passos do Calvário particular de José.

Quando soube dos esforços feitos por seus familiares diante das autoridades cubanas, antes que se concretizasse a sua liberdade, em um gesto de coragem e coerência, o Beato recusou a oferta de sua libertação que havia sido obtida, mesmo sabendo das dificuldades envolvidas em tal decisão. E sua vocação apostólica, cheio de caridade, se manifestou em sua inabalável vontade de caminhar dando os mesmos passos de seus irmãos em comunidade: "Vocês estão aqui, todos vocês que foram meus educadores, meus professores e meus superiores. Eu vou fugir da cidade? Eu prefiro seguir o destino de todos, e o que Deus quiser!" 
Então ele determinou, com absoluta vontade, querer cumprir a vontade divina. Os rostos de seus superiores e formadores o observavam com emoção. E com eles compartilhou muitos sofrimentos em cerca de quatro meses, marcados pela privação e angústia, até que ele entregou sua alma a Deus em Paracuellos del Jarama, em Madri. 

Ele foi executado em 30 de novembro de 1936, juntamente com outros 50 religiosos agostinianos, exclamando: "Viva o Cristo Rei!".
Ao renovar o supremo ato de perdão, aprendido do Redentor, para com os que o privaram de sua vida, abriu as portas do céu para ele. Ele tinha 24 anos.

Foi beatificado com outros 497 mártires em 28 de outubro de 2007 em Roma.




quarta-feira, 29 de novembro de 2017

29 de novembro - Beato Frederico de Ratisbona - Agostiniano

O beato Frederico foi um irmão agostiniano conhecido pela sua generosidade, humildade, delicadeza para com os irmãos, caridade para com os pobres, religiosidade, dedicação à oração e seu amor devocional à Eucaristia, nasceu em Ratisbona, Bavária, Alemanha. Seus pais pertenciam à classe média.

Entrou na Ordem como irmão não clérigo no mosteiro agostiniano de São Nicolau em sua cidade natal. O mosteiro era a mais importante comunidade da Província da Bavária naquela época, e acolheu o capítulo geral da Ordem Agostiniana de 1290.

Nele, a primeira Constituição dos Agostinianos foi promulgada.

Frederico serviu a comunidade como carpinteiro e tinha a responsabilidade de prover à casa a lenha necessária para o uso cotidiano, modesto trabalho levado a cabo durante anos unido a uma profunda vida de oração.

É lamentável que seja pouco o que se sabe de sua vida. Conhecemos, isso sim, alguns relatos lendários do século XVI, como os que aparecem na biblioteca do capítulo metropolitano de Praga.

Algumas pinturas representando cenas da vida de Frederico e encomendadas por ocasião de sua morte ajudaram a inspirar tais lendas.

Entre elas, a mais conhecida narra como um dia, impossibilitado de assistir à missa e estando no mesmo lugar onde se encontrava trabalhando, Frederico recebeu a comunhão das mãos de um anjo.

A carga de colorido com a que se apresentam os fatos históricos, em conformidade aos gostos do tempo, hoje faz com que tais relatos sejam vistos com fortes reservas, ou inclusive, com rechaço.

Porém, há de se ter em conta que interessava ao narrador medieval confirmar o reconhecimento divino da santidade mediante o milagre.

Mais que escrever propriamente uma biografia, a intenção era a de representar exemplos de virtude e ideais religiosos que animassem a segui-los.

Episódios como o exposto acima atestam a devoção eucarística de nosso beato e provam o profundo efeito produzido entre seus contemporâneos e a continuidade da piedosa memória de que foi objeto ao longo dos séculos.

O Prior Geral dos Agostinianos, Clemente Fulh, atesta em uma carta dirigida aos irmãos não clérigos que

"o beato Frederico chegou ao cume da perfeição obedecendo fielmente as normas estabelecidas por Santo Agostinho e soube integrar de maneira admirável a vida perfeitamente contemplativa com a vida perfeitamente ativa".


Frederico morreu em Ratisbona no dia 29 de novembro de 1329 e logo depois de sua morte muito milagres foram creditados por sua intercessão e o Papa São Pio X, o beatificou em 12 de maio de 1909.