terça-feira, 3 de outubro de 2017

03 de outubro - O Milagre de Ocotlán


No domingo, 3 de outubro de 1847, antes de celebrar uma Missa no cemitério da capela da Puríssima Conceição na cidade de Ocotlán (México), mais de 2 mil pessoas foram testemunhas de uma imagem perfeita de Jesus Cristo Crucificado que apareceu no céu por mais de 30 minutos.

Este acontecimento histórico – aprovado pela Arquidiocese de Guadalajara em 1911 – ficou conhecido como “O Prodígio de Ocotlán” e ocorreu um dia antes de um tremor deixar em ruínas esta localidade do estado de Jalisco, causando a morte de 40 pessoas.

Antes de começar a Missa no dia 3 de outubro, que seria presidida pelo vigário paroquial Pe. Julián Navarro, começaram a se unir duas nuvens muito brancas ao noroeste do céu e no meio delas apareceu a imagem de Cristo.

As pessoas presentes e todos aqueles que estavam nos povoados próximos se comoveram, fizeram atos de contrição e pediram a gritos “Misericórdia ao Senhor”. Por tal motivo, este Cristo foi nomeado o “Senhor da Misericórdia” e em sua homenagem, em setembro de 1875, abençoaram e consagraram um novo templo paroquial dedicado a Ele. 

Entre os fiéis que presenciaram o prodígio também estava o Pe. Julián Martín del Campo, pároco da comunidade, e Antonio Jiménez, o prefeito da cidade. Ambos enviaram cartas aos seus respectivos superiores contando acerca deste acontecimento.

Além disso, depois do prodígio foi elaborado um expediente com 30 relatos de testemunhas oculares por mandato do leigo Lic. Miguel Castellanos. Cinquenta anos depois, em 1897, sob a ordem do então Arcebispo de Guadalajara, Dom Pedro Loza e Pardavé, realizaram um novo expediente com outras 30 pessoas, entre elas 5 sacerdotes.

Em 29 de setembro de 1911, o Arcebispo de Guadalajara naquela época, Dom José de Jesus Ortiz e Rodríguez, assinou o documento que reconhece a aparição de Jesus Cristo em Ocotlán e o culto de veneração que realizam os fiéis dessa localidade à imagem do Senhor da Misericórdia, localizada no Santuário com o mesmo nome.

“Devemos reconhecer como acontecimento histórico, perfeitamente comprovado, a aparição da bendita imagem de Jesus Cristo Crucificado (…) e que não pôde ser obra de alucinação ou de fraude, pois pôde ser verificada em plena luz do dia, foi vista por mais de duas mil pessoas”, expressou o Cardeal.

Assinalou também que a fim de que nunca seja esquecida a Misericórdia do Senhor, os fiéis deviam “reunir-se na maneira que fosse possível, depois de purificadas suas consciências com os santos sacramentos da Penitência e Sagrada Comunhão, e jurar solenemente na presença de Deus, por si e seus descendentes, que ano por ano celebrarão o aniversário de dia 3 de outubro”.

Depois da aprovação e para dar cumprimento ao disposto pelo Arcebispo de Guadalajara, em 1912 começaram as festividades públicas em homenagem ao Senhor da Misericórdia, recordando o Prodígio de 1847. Atualmente, as festas são celebradas durante 13 dias, de 20 de setembro a 3 de outubro.

Tempos depois, em 1997 São João Paulo II enviou sua Bênção Apostólica ao povo de Ocotlán por ocasião dos 150 anos do prodígio e pediu celebrar suas festas santamente, recebendo os sacramentos.

Um dos frutos do milagre, é que, já não é tendo a graça de ver novamente a sua bendita imagem no céu, poderemos ver Jesus Cristo aqui na terra.

Poderemos vê-lo nas ruas, nos lares e nas famílias, porque cada discípulo é chamado a ser uma imagem viva de Cristo, com seus mesmos sentimentos, atitudes, práticas e mesma relação com Deus e com outros.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

02 de outubro - Santos Anjos da Guarda

“O anjo da guarda é um amigo que não vemos, mas que sentimos. Ele nos acompanha no caminho na terra até o céu”. Papa Francisco

“A Igreja confessa sua fé no Anjo da Guarda, venerando-o na liturgia com uma festa especial e recomendando procurar a sua proteção com uma oração frequente”. São João Paulo II

Confira a seguir cinco coisas que talvez não sabia ou não lembrava sobre seu Anjo da Guarda:

1. Acompanha-nos desde a concepção
Cada ser humano, desde o momento de sua concepção, tem um Anjo da Guarda. Diz o Catecismo (336): “Desde o seu começo até a morte, a vida humana é acompanhada pela sua custódia e intercessão”. Do mesmo modo, acrescenta uma frase de São Basílio Magno: “Ninguém poderá negar que cada fiel tem ao seu lado um Anjo como protetor e pastor para conduzir sua vida”.

Com estas afirmações compreendemos que a missão do Anjo da Guarda é velar por cada pessoa, proteger dos perigos e guiar nossa vida a Cristo. Por isso, São João Maria Vianney (o Cura D’Ars) indicava: “Que feliz é esse Anjo da Guarda, pois acompanha a alma quando vai à Missa”.

2. Sua existência não é uma invenção nem um conto infantil, fundamenta-se na Bíblia 
Na Bíblia, desde o Antigo Testamento existem várias passagens que mencionam a presença dos anjos que custodiam, como no Êxodo (23, 20-21): “Eu vou enviar um Anjo diante de ti, para que te proteja no caminho e te conduza até o lugar que te preparei. Respeita-o e escuta sua voz”.

Do mesmo modo, no Novo Testamento, Jesus diz (Mt 18,10): “Não desprezem a nenhum destes pequenos, porque lhes asseguro que seus Anjos no céu estão constantemente na presença do meu Pai celestial”.

3. São amigos próximos dos santos
Muitos santos deram testemunho da inseparável relação que tiveram com seus Anjos da Guarda. Entre eles, estão São Francisco de Sales, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Pio de Pietrelcina, São Josemaria Escrivá, entre outros.

Dizem que Santa Francisca Romana (1384-1440), padroeira dos motoristas, teve a sorte de ver seu Anjo da Guarda, que velava por ela dia e noite. A Santa o descreve assim: “Era de uma beleza incrível, com uma pele mais branca que a neve e um rubor que superava a vermelhidão das rosas. Seus olhos, sempre abertos olhando para o céu, o cabelo comprido e cacheado cor do ouro. Sua túnica era comprida até os pés e era branca um pouco azulada e, outras vezes, com brilhos avermelhados. Era tal a irradiação luminosa que o seu rosto emanava, que podia ler as matinas em plena meia-noite”.

4. Protege-nos nos momentos difíceis
Em certa ocasião, São João Bosco narrou que no dia da festa do Anjo da Guarda, recomendou aos seus alunos que nos momentos de perigo invocassem o seu Anjo. Naquela semana, dois jovens trabalhadores estavam em um andaime muito alto alcançando materiais e de repente a tábua quebrou e ambos caíram no chão.

Um deles recordou o conselho do santo e exclamou: “Anjo da minha guarda!”. Caíram de repente e quando seus companheiros foram vê-los, um deles estava morto, mas o que tinha invocado o seu Anjo da Guarda ficou consciente e subiu a escada do andaime como se nada tivesse acontecido. Em seguida, o menino contou que ao invocar o seu anjo sentiu como se colocassem debaixo dele um lençol, que o abaixava devagar, e depois disso já não lembrava mais nada.

5. São poderosos servidores de Deus
São Bernardo Abade em um de seus sermões indicou: “Sejamos, pois, devotos e agradecidos àqueles guardiões tão exímios; correspondamos o seu amor, honremo-los quanto possamos e conforme devemos”.

Eles nos guiam nos nossos caminhos, não podem ser vencidos nem enganados e menos ainda podem nos enganar. São fiéis, prudentes, poderosos: por que nos assustamos? Basta com que os sigamos, com que estejamos unidos a eles, e viveremos assim, à sombra do Onipotente.
A tradição da Igreja recomenda saudar e invocar o Anjo da guarda durante o dia, especialmente com a seguinte oração:


Santo anjo do Senhor,
meu zeloso guardador,
se a ti me confiou
a piedade divina,
sempre me rege,
sempre me guarde,
sempre me governe e
sempre me ilumine
Amém.

domingo, 1 de outubro de 2017

01 de Outubro - Santa Teresinha do Menino Jesus: “Deus me perdoou por antecipação”

“Reconheço que, sem Ele, poderia cair tão baixo como Santa Madalena. E com grande doçura ecoa em minha alma a profunda palavra de Nosso Senhor a Simão... Eu o sei, "menos AMA aquele, a quem menos se perdoa". Mas, não ignoro também que a mim Jesus perdoou mais do que a Santa Madalena, pois me perdoou por antecipação, porquanto me impediu que caísse.
  
Oh! pudera explicar o que sinto! ...
Dou aqui um exemplo que traduzirá um pouco meu modo de pensar.
- Suponho que o filho de um entendido doutor depare no caminho com uma pedra, que o faz cair e fraturar um membro. De pronto lhe acorre o pai, ergue-o com amor, pensa-lhe as lesões, aplicando todos os recursos de sua arte. E o filho,completamente curado, logo lhe testemunha sua gratidão.  Não resta dúvida, o filho tem todo o motivo de querer bem ao Pai!

Farei, contudo, outra suposição ainda.
Sabendo que, no caminho do filho, se encontra  uma pedra, o pai apressa-se em tomar a dianteira, e remove-a, sem que ninguém o veja. O filho, por certo, objeto de seu previdente carinho, não TENDO CONHECIMENTO da desgraça, da qual o pai o livrara, não lhe mostrará gratidão, e ter-lhe-á menos amor do que se fora curado por ele...
Mas, se souber o perigo, do qual acaba de escapar, não o amará ainda mais?

Ora, tal filha sou eu, objeto do amor previdente de um Pai, que enviou seu Verbo para resgatar não os justos, mas os pecadores ". Quer que eu o ame, porque me perdoou, não digo muito, mas TUDO. Não esperava que eu muito o amasse, como Santa Madalena, mas quis que SOUBESSE como me amou com um amor de inefável previdência, a fim de que agora o ame até a loucura!...
Ouvi dizer que se não encontra alma pura mais amorosa do que uma alma arrependida. Oh! Quem me dera desmentir a afirmação!...”


História de uma Alma n. 120
Santa Teresinha do Menino Jesus

01 de Outubro - Santa Teresinha do Menino Jesus: "No coração da Igreja serei o amor"

"Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes, li que todos não podem ser ao mesmo tempo apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me a paz. 

Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12,31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade, e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso. 

Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. 

Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará."

Santa Teresinha do Menino Jesus

sábado, 30 de setembro de 2017

Outubro - Mês Missionário


A missão da Igreja não é a propagação de uma ideologia religiosa, nem mesmo a proposta de uma ética sublime. No mundo, há muitos movimentos capazes de apresentar ideais elevados ou expressões éticas notáveis. Diversamente, pela missão da Igreja, é Jesus Cristo que continua a evangelizar e agir; e, por isso, ela representa o kairós, o tempo propício da salvação na história. Por meio da proclamação do Evangelho, Jesus torna-se sem cessar nosso contemporâneo, consentindo à pessoa que o acolhe com fé e amor experimentar a força transformadora do seu Espírito de Ressuscitado que fecunda o ser humano e a criação, como faz a chuva com a terra.

“A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual” (EG 276).

 Lembremo-nos sempre de que, “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá vida a um novo horizonte e, dessa forma, o rumo decisivo” (Bento XVI, Encíclica Deus caritas est, 1). O Evangelho é uma Pessoa que continuamente se oferece e se acolhe com fé humilde e operosa, continuamente convida a partilhar a sua vida por uma participação efetiva no seu mistério pascal de morte e ressurreição.

Assim, por meio do Batismo, o Evangelho torna-se fonte de vida nova, libertada do domínio do pecado, iluminada e transformada pelo Espírito Santo. Pela Confirmação, torna-se unção fortalecedora que, graças ao mesmo Espírito, indica caminhos e estratégias novas de testemunho e proximidade e, mediante a Eucaristia, torna-se alimento do homem novo, “remédio de imortalidade” (Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios, 20, 2).

O mundo tem uma necessidade essencial do Evangelho de Jesus Cristo. Ele, por meio da Igreja, continua a sua missão de Bom Samaritano, curando as feridas sanguinolentas da humanidade e, na missão de Bom Pastor, buscando sem descanso quem se extraviou por veredas enviesadas e sem saída. E, graças a Deus, não faltam experiências significativas que testemunham a força transformadora do Evangelho.


Papa Francisco – Mensagem para o Dia Mundial das Missões