domingo, 3 de janeiro de 2016

Epifania do Senhor

O termo grego "epifania" significa entrada poderosa, e se referia à chegada de um rei ou de um imperador. O mesmo termo servia para indicar a aparição de uma divindade ou de sua intervenção prodigiosa.
No oriente, o nome epifania indicava a desta do Natal do Senhor, a sua "aparição" na carne. No século II já era celebrada no dia 6 de janeiro em algumas comunidades.

No século IV se tem notícia da primeira festa ortodoxa da Epifania. No tempo de São João Crisóstomo (antes de 386) era celebrada em Antioquia e no Egito.

A festa entrou também no ocidente e, em algumas regiões pode ter precedido inclusive o Natal. Mas normalmente, tendo entrado depois, tinha como objeto a "revelação de Jesus ao mundo pagão, simbolizada no episódio da vinda e adoração dos Magos.
Desse modo, no ocidente se distinguiu claramente o objeto da celebração das duas festas:

Natal - nascimento (encarnação) em meio ao seu povo;

Epifania - homenagem das nações.

O Senhor deu a conhecer a salvação ao mundo inteiro

“Tendo a misericordiosa Providência de Deus decidido vir nos últimos tempos em socorro do mundo perdido, determinou salvar todos os povos em Cristo.
Esses povos formam a incontável descendência outrora prometida ao santo patriarca Abraão; descendência gerada não segundo a carne, mas pela fecundidade da fé, e por isso comparada à multidão das estrelas, para que o pai de todos os povos esperasse uma posteridade celeste e não terrestre.

Entrem, pois, todos os povos, entrem na família dos patriarcas, e recebam os filhos da promessa a benção da descendência de Abraão, à qual renunciaram os filhos segundo a carne. Que todos os povos, representados pelos três Magos, adorem o Criador do universo; e Deus não seja conhecido apenas na Judeia mas no mundo inteiro, a fim de que por toda parte o seu nome seja grande em Israel (Sl 75,2).

Portanto, amados filhos, instruídos nos mistérios da graça divina, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, dando graças a Deus misericordioso que, conforme diz o Apóstolo, nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos; ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu amado Filho (Cl 1,12-13). Pois, como anunciou Isaías, o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9,1). E ainda referindo-se a eles, o mesmo profeta diz ao Senhor: Nações que não vos conheciam vos invocarão e povos que vos ignoravam acorrerão a vós (cf. Is 55,5).

Esse dia, Abraão viu e alegrou-se (Jo 8,56) ao saber que seus filhos segundo a fé seriam abençoados na sua descendência, que é Cristo, e ao prever que, por sua fé, seria pai de todos os povos. E deu glória a Deus, plenamente convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu (Rm 4,20-21).

Esse dia, também Davi cantou nos salmos, dizendo: As nações que criastes virão adorar, Senhor, e louvar vosso nome (Sl 85,9). E ainda: O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça (Sl 97,2).

Como sabemos, tudo isso se realizou quando os três Magos, chamados de seu longínquo país, foram conduzidos por uma estrela, para irem conhecer e adorar o Rei do céu e da terra. O serviço prestado por esta estrela nos convida a imitar sua obediência, isto é, servir com todas as forças essa graça que nos chama todos para Cristo.
Animados por esse desejo, amados filhos, deveis empenhar-vos em ser úteis uns aos outros, para que no reino de Deus, aonde se entra graças à integridade da fé e às boas obras, resplandeçais como filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos.”

São Leão Magno - Séc V



sábado, 2 de janeiro de 2016

Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno

Como uma só alma em dois corpos

“Encontramo-nos em Atenas. Como o curso de um rio, que partindo da única fonte se divide em muitos braços, Basílio e eu nos tínhamos separado para buscar a sabedoria em diferentes regiões. Mas voltamos a nos reunir como se nos tivéssemos posto de acordo, sem dúvida porque Deus assim quis.
Nesta ocasião, eu não apenas admirava meu grande amigo Basílio vendo-lhe a seriedade de costumes e a maturidade e prudência de suas palavras, mas ainda tratava de persuadir a outros que não o conheciam tão bem a fazerem o mesmo. Logo começou a ser considerado por muitos que já conheciam sua reputação.

Que acontece então? Ele foi quase o único entre todos os que iam estudar em Atenas a ser dispensado da lei comum; e parecia ter alcançado maior estima do que comportava sua condição de novato. Este foi o prelúdio de nossa amizade, a centelha que fez surgir nossa intimidade; assim fomos tocados pelo amor mútuo.

Com o passar do tempo, confessamos um ao outro nosso desejo: a filosofia era o que almejávamos. Desde então éramos tudo um para o outro; morávamos juntos, fazíamos as refeições à mesma mesa, estávamos sempre de acordo aspirando aos mesmos ideais e cultivando cada dia mais estreita e firmemente nossa amizade.
Movia-nos igual desejo de obter o que há de mais invejável: A ciência; no entanto, não tínhamos inveja, mas valorizávamos a emulação. Ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro.

Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos. E embora não se deva dar crédito àqueles que dizem que tudo se encontra em todas as coisas, ao nosso caso podia se afirmar que de fato cada um se encontrava no outro e com o outro.

A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir. Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro regra e o modelo para discernir o certo e o errado.

Assim como cada pessoa tem um sobrenome recebido de seus pais ou adquirido de si próprio, isto é, por causa da atividade ou orientação de sua vida, para nós a maior atividade e o maior nome era sermos realmente cristãos e como tal reconhecidos.”

São Gregório de Nazianzeno

Os dois Santos celebrados em conjunto pela Igreja foram amigos e seguiram carreiras paralelas. Ambos provinham de famílias de santos, ambos foram monges, bispos e lutaram contra o arianismo, a grande heresia da época.
São Basílio, nasceu no ano 330 e era neto de Santa Macrina, filho de Santa Emélia e irmão de São Gregório de Nissa, de São Pedro de Sebaste e de outra Santa Macrina. Foi bispo de Cesaréia e escreveu a célebre Regra dos Monges do Oriente. Basílio Magno, como também é conhecido, começou sua caminhada como orador. É chamado Magno em virtude de sua intensa atividade pastoral, de seus sermões e escritos em defesa da religião.
Ele criou na cidade de Cesaréia uma verdadeira cruzada de serviço aos pobres, fundando hospitais, asilos, casas de repousos, escolas de artesanato e outras obras caritativas. Escrevia "A quem fiz justiça conservando o que é meu? Diga-me, sinceramente, o que lhe pertence? De quem recebeu? Se cada um se contentasse com o necessário e desse aos pobres o supérfluo, não haveria nem ricos nem pobres".
Ele faleceu aos 50 anos no dia 01 de Janeiro de 379 e São Gregório Nazianzeno, também comemorado nesta data; disse no dia do enterro: “Basílio santo, nasceu entre os santos. Basílio pobre viveu pobre entre os pobres. Basílio, filho de mártires, sofreu como um mártir. Basílio pregou sempre; com seus lábios e com seus exemplos, e seguirá pregando sempre com seus escritos admiráveis”.           
São Gregório Nazianzeno era filho de São Gregório, o Velho e de Santa Nona, e irmão de Santa Gorgônia. Como Patriarca de Constantinopla, presidiu ao primeiro Concílio de Constantinopla, que definiu solenemente a Divindade do Espírito Santo. Foi perseguido pelos hereges arianos, que o forçaram a deixar sua cátedra, retornando então à vida de monge.
Gregório morreu no ano 390. Dentre o seu legado encontramos quase cinquenta sermões e duzentas e quarenta e quatro cartas, que tratam, em especial, sobre a verdadeira divindade do Espírito Santo e da santidade da Virgem Maria como Mãe de Deus.
Sua inspiração poética também nos presenteou com cerca de quatrocentos poemas. Seus sermões e escritos deixaram um tesouro de testemunho ortodoxo, em um tempo de muita confusão e luta interna na Igreja de Roma.




sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Santa Mãe de Deus, Maria

Todas as Igrejas do Oriente e do Ocidente sempre tiveram prazer em honrar a santíssima Mãe de Deus, a Theotókos. Nas primeiras festas marianas, que a tradição litúrgica lembra, fixadas em torno do Natal ou no dia 15 de Agosto, a Igreja celebrou especialmente a maternidade divina de Maria. 
A partir do Concílio de Éfeso (431), o culto prestado pelo povo de Deus a Maria cresceu admiravelmente em amor, em oração e imitação; todos a veneram como a Mãe de Deus. A maternidade divina, de fato, está na origem de todo privilégio de Maria.
Essa dignidade é única: a Virgem concebeu e deu à luz o Verbo de Deus segundo a carne e, por isso, pode ser chamada verdadeiramente de Mãe de Deus. Ela não é apenas mãe do corpo do seu Filho, mas é, a pleno título, a Mãe do seu Filho: Mãe desse Filho que é Deus. O essencial dessa maternidade é a relação pessoal com Deus, relação que encontramos em Maria num nível único de profundidade. Certamente não é a relação divina encontrada entre as pessoas da Santíssima Trindade, todavia, permanece sendo a relação mais alta que se possa pensar entre uma criatura e o seu Criador.
Por isso, Nossa Senhora está acima de qualquer criatura e a Igreja a venera e a ama, atuando as palavras proféticas:
"Doravante todas as gerações me felicitarão, porque o Todo-Poderoso realizou grandes obras em meu favor" (Lc 1,48-49)


O Verbo assumiu nossa natureza no seio de Maria

“O Verbo de Deus veio em auxílio da descendência de Abraão, como diz o Apóstolo. Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos (Hb 2,16-17) e assumir um corpo semelhante ao nosso. Eis por que Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós. A Sagrada Escritura, recordando este nascimento, diz: Envolveu-o em panos (Lc 2,7); proclama felizes os seios que o amamentaram e fala também do sacrifício oferecido pelo nascimento deste Primogênito. O anjo Gabriel, com prudência e sabedoria, já o anunciaram a Maria; não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti (Lc 1, 35), para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria.
Assim foi que o Verbo, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-a em sacrifício, assumiu-a em sua totalidade, para nos revestir depois de sua natureza divina, segundo as palavras do Apóstolo: É preciso que este ser corruptível se vista de incorruptibilidade; é preciso que este ser mortal se vista de imortalidade (1Cor 15,53).
Estas coisas não se realizaram de maneira fictícia, como julgam alguns, o que é inadmissível! Nosso Salvador fez-se verdadeiro homem, alcançando assim a salvação do homem na sua totalidade. Nossa salvação não é absolutamente algo de fictício, nem limitado só ao corpo; mas realmente a salvação do homem todo, corpo e alma, foi realizada pelo Verbo de Deus.
A natureza que ele recebeu de Maria era uma natureza humana, segundo as divinas Escrituras, e o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro. Digo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso. Maria é portanto nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão.
As palavras de João: O Verbo se fez carne (Jo 1,14) têm o mesmo sentido que se pode atribuir a uma expressão semelhante de Paulo: O Cristo fez-se maldição por nós (Gal 3,13). Pois da intima e estreita união com o Verbo, resultou para o corpo humano em engrandecimento sem par: de mortal tornou-se imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno, transpôs as portas do céu.
Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio da Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo.”
Santo Atanásio – Séc IV

Dia Mundial da Paz


VENCE A INDIFERENÇA E CONQUISTA A PAZ
 Deus não é indiferente; importa-Lhe a humanidade! Deus não a abandona!

Com esta minha profunda convicção, quero, no início do novo ano, formular votos de paz e bênçãos abundantes, sob o signo da esperança, para o futuro de cada homem e mulher, de cada família, povo e nação do mundo, e também dos chefes de Estado e de governo e dos responsáveis das religiões. Com efeito, não perdemos a esperança de que o ano de 2016 nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, nos diferentes níveis, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz. Na verdade, esta é dom de Deus e trabalho dos homens; a paz é dom de Deus, mas confiado a todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo.
(...) Jesus ensina-nos a ser misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36). Na parábola do bom samaritano (Lc 10, 29-37), denuncia a omissão de ajuda numa necessidade urgente dos seus semelhantes: «ao vê-lo, passou adiante» (Lc 10, 32). Ao mesmo tempo, com este exemplo, convida os seus ouvintes, e particularmente os seus discípulos, a aprenderem a parar junto dos sofrimentos deste mundo para os aliviar, junto das feridas dos outros para as tratar com os recursos de que disponham, a começar pelo próprio tempo apesar das muitas ocupações. Na realidade, muitas vezes a indiferença procura pretextos: na observância dos preceitos rituais, na quantidade de coisas que é preciso fazer, nos antagonismos que nos mantêm longe uns dos outros, nos preconceitos de todo o gênero que impedem de nos fazermos próximo.
A misericórdia é o coração de Deus. Por isso deve ser também o coração de todos aqueles que se reconhecem membros da única grande família dos seus filhos; um coração que bate forte onde quer que esteja em jogo a dignidade humana, reflexo do rosto de Deus nas suas criaturas. Jesus adverte-nos: o amor aos outros – estrangeiros, doentes, encarcerados, pessoas sem-abrigo, até inimigos – é a unidade de medida de Deus para julgar as nossas ações. Disso depende o nosso destino eterno. Não é de admirar que o apóstolo Paulo convide os cristãos de Roma a alegrar-se com os que se alegram e a chorar com os que choram (Rm 12, 15), ou recomende aos de Corinto que organizem coletas em sinal de solidariedade com os membros sofredores da Igreja (ICor 16, 2-3). E São João escreve: «Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o seu coração, como é que o amor de Deus pode permanecer nele?» (IJo 3, 17).
Deste modo, também nós somos chamados a fazer do amor, da compaixão, da misericórdia e da solidariedade um verdadeiro programa de vida, um estilo de comportamento nas relações de uns com os outros. Isto requer a conversão do coração, isto é, que a graça de Deus transforme o nosso coração de pedra num coração de carne (Ez 36, 26), capaz de se abrir aos outros com autêntica solidariedade. Com efeito, esta é muito mais do que um «sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes». A solidariedade «é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos», porque a compaixão brota da fraternidade.
Assim entendida, a solidariedade constitui a atitude moral e social que melhor dá resposta à tomada de consciência das chagas do nosso tempo e da inegável interdependência que se verifica cada vez mais, especialmente num mundo globalizado, entre a vida do indivíduo e da sua comunidade num determinado lugar e a de outros homens e mulheres no resto do mundo.
(...) No espírito do Jubileu da Misericórdia, cada um é chamado a reconhecer como se manifesta a indiferença na sua vida e a adotar um compromisso concreto que contribua para melhorar a realidade onde vive, a começar pela própria família, a vizinhança ou o ambiente de trabalho.

Mensagem do Santo Padre Francisco
para a celebração do XLIX DIA MUNDIAL DA PAZ
1º de janeiro de 2016





Beato Valentino Paquay

Valentino Paquay -Ludovico era o seu nome de batismo - da Ordem dos Frades Menores, nasceu em Tongeren (Bélgica). Quando era jovem, sentiu-se profundamente tocado pela misericórdia divina, durante um sermão a que assistiu. Surgiu assim a sua vocação sacerdotal e religiosa. Procurou então seguir o exemplo dos Santos, tendo sempre diante dos olhos figuras como João Berchmans e Luís Gonzaga.

Desejava também ele obedecer de coração à vontade de Deus, ser a vontade de Deus realizada completamente na medida da graça divina e da generosidade de um coração jovem. Transcorreu quase toda a sua vida, como religioso, em Hasselt. Nos seus sermões, o tema principal era o amor de Deus por todos nós. Mesmo quando falava de assuntos como o pecado e o inferno, a sua consideração final referia-se constantemente à misericórdia de Deus, que é sempre maior que o coração humano. Pregou muitos retiros sobre este tema. A sua vocação específica era o confessionário. No clima do seu amor, todos se sentiam livres de confessar os seus pecados.

Permanecia muito tempo durante a noite na igreja a rezar por estes homens de boa vontade, assumindo sobre si uma parte da penitência pelos seus pecados. Sentia grande amor pela Sagrada Escritura. Mostrava de maneira viva a atualidade das palavras de Jesus, convidando assim os fiéis a um encontro verdadeiro com o próprio Senhor. Faleceu em 1905, depois de uma vida simples, transcorrida na penumbra do confessionário e na sua cela, que era muito simples:  uma cama de madeira, um genuflexório alto, uma mesinha e uma cadeira. A um irmão que se lamentava porque lhe tinha sido tirada a sua cadeira, respondeu:  "Tenho presente uma boa cadeira", e deu-lhe a sua.

Desta forma, Padre Valentino queria ser o mais pequenino, o menor face a qualquer outro indivíduo. O seu ideal missionário aproxima-se do Cura d'Ars e da pequena Teresa de Lisieux. No centro da sua Província, o pequeno padre, enfermo, frágil, vítima da varíola foi conforto para o seu povo atormentado de Hasselt, visitando os doentes, sempre em comunhão espiritual com os seus irmãos de hábito e com toda a Ordem dos Frades Menores. Dedicou toda a sua vida à escuta dos corações e das almas, evitando qualquer manifestação de privilégio, qualquer louvor desmedido, querendo assemelhar-se cada vez mais a Francisco de Assis, consciente dos limites e debilidades características de todos os seres humanos.

Homilia do Santo João Paulo II - 9 de novembro de 2003:]

“O Padre Valentino Paquay é, sem dúvida, um discípulo de Cristo e um padre segundo o coração de Deus. Apóstolo da misericórdia, ele passava longas horas no confessionário, com o dom particular de conduzir novamente os pecadores ao caminho reto, recordando aos homens a grandeza do perdão divino. Colocando no centro da sua vida de sacerdote a celebração do Mistério eucarístico, ele convidava os fiéis a aproximarem-se com frequência da comunhão do Pão da Vida.

Como tantos santos, o Padre Valentin colocou todos os jovens sob a proteção de Nossa Senhora, invocada na igreja da sua infância, em Tongres, como Causa da nossa Alegria. Seguindo o seu exemplo, faço votos por que possais servir os vossos irmãos, para lhes dar a alegria de reencontrar Cristo em verdade!”