sábado, 2 de agosto de 2014

Fundação dos Sacramentinos

A graça recebida em 1851, quando rezava diante da imagem da Virgem Santíssima, no santuário mariano de Fourvière, foi decisiva na decisão de fundar a nova Congregação. Em certo momento, ouviu com clareza no fundo da alma a voz de Nossa Senhora, que lhe expunha a necessidade de haver uma congregação religiosa destinada a honrar de modo especial a Sagrada Eucaristia, e apontava esta devoção como meio de solucionar os intricados problemas nos quais imergia o mundo, renovar a vida cristã e promover a autêntica formação de sacerdotes e leigos.

Assim, quem o impeliu na sua missão eucarística foi Aquela que, mais tarde, ele passou a venerar sob o título de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, modelo dos adoradores. Padre Pedro Julião deixou registradas algumas das cogitações que nessa época enchiam sua alma de apóstolo: "Tenho refletido amiúde sobre os remédios para esta indiferença universal, que se apodera de tantos católicos de maneira assombrosa, e só encontro um: a Eucaristia, o amor a Jesus Eucarístico. A perda da fé provém da perda do amor".

Algum tempo depois, acrescentou: "É preciso pôr-se imediatamente à obra, salvar as almas com a Eucaristia, despertar a França e a Europa, submersas no sono da indiferença, porque não conhecem o dom de Deus, Jesus, o Emanuel da Eucaristia. É preciso espalhar esta centelha do amor nas almas tíbias que se julgam piedosas e não o são, porque não fixaram o centro de suas vidas em Jesus no tabernáculo".

Amor por Jesus Eucarístico desde a infância!

Na igreja da pequena cidade francesa de La Mure d'Isère, próxima de Grenoble, estava um menino de cinco anos, sentado numa pequena escada atrás do altar, com o corpo inclinado e a fronte quase encostada no sacrário. Foi ali que o encontrou sua irmã, depois de tê-lo procurado aflita por todo o povoado.

- O que faz você aqui? - perguntou ao vê-lo.

- Ora - respondeu ele com candura -, apenas converso com Jesus.

- Mas, por que desse modo tão singular?!

- Porque assim O escuto melhor!

Ainda não sabia este prematuro devoto do Santíssimo Sacramento a grande missão que a Providência lhe tinha reservado e quão cheia de lutas, mas também de glórias, seria a vida que o aguardava. Sua precoce atração por Cristo Hóstia não era senão uma incipiente preparação para ela.

Recordando este fato, mais tarde, João XXIII diria as seguintes palavras: "Aquele menino de cinco anos, que encontraram no altar com a fronte apoiada no sacrário, é o mesmo que, tempos depois, chegaria a fundar a Sociedade dos Sacerdotes do Santíssimo Sacramento, assim como a das Servas do Santíssimo Sacramento, irradiando em inumeráveis legiões de sacerdotes- adoradores seu amor e sua ternura para com Cristo vivo na Eucaristia" (Homilia de Canonização dos santos: Pedro Julião Eymard, Antonio Maria Pucci, Francisco Maria da Camporrosso, 9/12/1962).

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Frases de Santo Afonso Maria de Ligorio

"Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz."      

"É preciso deixar tudo para ganhar Tudo!"

"Não são os maus pensamentos que fazem perder a Deus, mas sim os maus consentimentos."

"Jesus na Eucaristia é médico e remédio."

"Quem reza se salva; quem não reza certamente se condena."

"Quando Deus não nos atende, é para nosso maior bem."

"Deus nos atende a qualquer hora. Os reis da terra dão audiências poucas vezes ao ano, mas Deus dá audiência continuamente."

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier



No dia 16 de março de 1540, provido dos títulos de Núncio Papal e Embaixador de Portugal para os países do Oriente, Francisco Xavier foi despedir-se de seu pai espiritual. Santo Inácio, pondo-lhe as mãos sobre os ombros, percebeu que a batina era muito rala. “Como, meu caro Francisco! Ides cruzar as neves dos Alpes com roupa tão leve?” O discípulo sorriu timidamente. “Depressa, desvestindo sua própria batina, o Fundador da Companhia de Jesus tirou uma veste de flanela que estava usando, e fê-la vestir em Xavier. Era como se, com essa parte de sua vestimenta, desse uma parte de si mesmo ao filho que partia”. “Ide: acendei e inflamai todo o mundo”, foram as últimas palavras Inácio de Loyola a Francisco Xavier.

Jesuítas no Brasil

Os sacerdotes jesuítas chegaram ao Brasil com o primeiro governador-geral da colônia, Tomé de Souza, desembarcando na cidade de Salvador em 1549. Chefiados por Manoel da Nóbrega, os religiosos se deslocaram para o sul, dedicando-se a pregação da fé católica e à educação.

É aos jesuítas que historiadores creditam a implantação de um sistema de educação formal no Brasil colônia, ao perceberem que a conversão dos nativos só seria possível se eles tivessem alguns conhecimentos básicos de leitura e escrita.

Para se comunicarem com os indígenas, muitos jesuítas aprenderam os idiomas nativos. José de Anchieta, que viera na expedição do segundo governador-geral do Brasil, Duarte de Souza, em 1553, escreve um dicionário, uma gramática e uma doutrina em guarani, além de peças teatrais, criando as primeiras peças literárias produzidas no Brasil colônia. Anchieta tornou-se o mais destacado entre os primeiros jesuítas que viveram nas terras brasileiras. Como educador, participou da fundação do Colégio de Piratininga, onde se originou a cidade de São Paulo, dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Politicamente, teve atuação nas negociações de conflitos envolvendo indígenas e brancos.

A atividade educativa dos jesuítas foi intensa. Em 1570, já haviam aberto escolas de instrução elementar em Porto Seguro, Ilhéus, São Vicente, Espírito Santo e São Paulo de Piratininga, além dos colégios do Rio de Janeiro, Pernambuco e na Bahia. Acompanhando as incursões dos colonizadores pelo interior do continente, fixaram-se em diferentes pontos do território brasileiro, como Minas Gerais e Goiás. No século XVIII, Paranaguá tornou-se um centro de atividades sacerdotais e pedagógicas através de uma residência, criada em 1708, e de um colégio, fundado em 1708. Na ilha de Santa Catarina, visitada pelos jesuítas desde 1835, abriram uma residência em 1749 e um colégio em 1751. Descendo para o sul, sua presença era nas missões jesuíticas, onde moravam com os índios.

Em 1720, por ordem do Marquês de Pombal, secretário do estado português, os jesuítas são expulsos de Portugal e de todas as suas colônias. A educação voltada para a fé, no modelo jesuítico, não interessava a Pombal, que pretendia criar uma escola ligada aos interesses do Estado, que permitisse o reerguimento de Portugal frente às demais nações européias. Mais de 600 jesuítas foram embarcados do Brasil para Lisboa, enquanto Pombal confiscava todos os bens móveis e imóveis da Companhia de Jesus, entre igrejas, seminários, imagens, jóias, engenhos, livros, casas.


A perseguição à Companhia de Jesus termina em 1814, quando o Papa Pio VII restaura a ordem religiosa. Os religiosos voltam ao Brasil e, mesmo sem reaver propriedades, retomam as práticas educativas, abrindo colégios por todo o território.